Na distribuição do nosso afeto, recebe mais aquele que mais tem para dar. A afeição é uma prática que envolve além do “gostar do outro” o “receber algo em troca”. Não acredito na incondicionalidade do amor humano, muito menos quando se trata de amizade. A amizade é um vínculo intencionalmente definido que, diferente do amor, pressupõe a reciprocidade, ou seja, você só pode ser amigo de quem é seu amigo.
Assim, que intenções, que objetivos visamos na amizade? Será que nós temos clareza do que pretendemos com ela? Não seria bem mais eficaz buscar essa clareza e explicitar essas intenções?
Na verdade, falar que existe condicionalidade nas relações de amizade não significa necessariamente dizer que todos os nossos vínculos afetivos são baseados no utilitarismo e desprovidos de qualquer tipo de afetuosidade. Isso apenas nos possibilita entender nosso papel dentro desse tipo de interação onde sempre teremos algo a oferecer e algo a reclamar.
De qualquer forma, se tratando de amizade, a verdade é que deve existir algum tipo de "lei natural de substituição" onde "alguns" precisam se afastar e deixar um espaço para que "outros" possam completar essas lacunas e contribuir para nossa jornada. Assim como as estações precisam se alternar durante o ano, nossas amizades também precisam atravessar esses ciclos de renovação. Não devemos nos apegar demais as circunstâncias porque cada pessoa tem sua razão, tem sua finalidade e tem seu momento certo para entrar e sair das nossas vidas.
Cada coisa acontece ao seu tempo.

Um dia a gente chega; no outro vai embora. As amizades assim como a vida são dinâmicas e oscilam. Fantástico, Daniel! Congrats.
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