Depois de uma semana estudando conteúdos “lógico-quantitativos”, e também por conta da minha falta de intimidade com as equações mais complexas, cheguei à conclusão de que existe uma operação matemática com o raciocínio bastante simples. Ela sintetiza minha ideia geral sobre relacionamentos. É bem popular aquela história sobre “encontrar a outra metade da laranja” (1+1 =1 ou ½ + ½ = 1). A pessoa que vai te completar e suprir suas carências afetivas. Estará sempre ao seu lado, dando sentido à sua vida. Contudo, não compartilho de tal ideia.
Considero uma violência desmedida com o “par romântico” esperar que ele seja responsável por sua felicidade. Imagine o fardo que é ter que sustentar alguém emocionalmente. Nessa perspectiva de “metade da laranja” (meio mais meio é igual a um), você parte do pressuposto de que é uma pessoa incompleta e transfere para o outro a responsabilidade por sua inteireza. Isso pode até parecer romântico, mas é um tipo de violação da sua subjetividade.
Adotar essa filosofia de vida talvez signifique se eximir da sua responsabilidade de realização pessoal, profissional ou afetiva consigo mesmo. Por consequência, transferir esse dever para outra pessoa é mais uma forma de negligenciar a construção do próprio eu do que amar alguém. Sempre temos muito a oferecer e também muito a aprender em relacionamentos. Não é interessante ser “mestre” o tempo todo. Importante se faz repensarmos essa ideia de “metade da laranja” e começarmos a nos trabalhar, conhecer-nos, “auto-completar-nos” para que, quando encontrarmos alguém, possamos compartilhar mais em vez de demandar.
Portanto, que as demandas e carências continuem a existir e sirvam para ampliar o que cada um já se constitui enquanto unidade individual. Que as faltas sejam supridas como quem planta sementes que darão origem a novas versões de si mesmo. Que “estar com o outro” não signifique que os dois se transformem em um todo indivisível, uma massa uniforme e insolúvel. Que se relacionar signifique compartilhar e prover suporte entre duas unidades distintas, que, apesar das diferenças, atraem-se e se complementam. Seria como se dois seres humanos funcionassem como plataformas que pudessem transpor para além de si mesmos.
Simplesmente porque “1 + 1 = 2” e não “1 + 1 = 1”.

Não existe essa de encaixe perfeito, ter o que por desventura : falta no outro!
ResponderExcluirComo voce falou: Isso pode até parecer romântico, mas é um tipo de violação da sua subjetividade.
O maior sonho dos xipófagos é se separar. Se não existe essa história de alma gêmea (nesse caso da laranja, alma única), muito pouco provável que esse negócio de metade da fruta seja verdade. Pura balela. Concordo.
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