quinta-feira, 30 de agosto de 2012

No meio do caminho


No meio do caminho tinha uma dúvida
tinha uma indecisão no meio do caminho
tinha uma incerteza
no meio do caminho tinha uma hesitação

Nunca me esquecerei desse acontecimento

A brincadeira poética com o texto de Carlos Drummond de Andrade sugere uma reflexão sobre a indecisão. Uma questão que aflige muitos de nós em diversos contextos diferentes. Poucas situações nos deixam tão fragilizados quanto aquelas em que temos que tomar uma decisão sobre como devemos direcionar nossas vidas. Deliberar sobre o nosso destino parece uma tarefa que não compete a nossa condição humana. Talvez por isso muitos prefiram deixá-la sob a responsabilidade do divino.

No geral, demonstramos uma profunda inquietação e angústia quando nos deparamos com situações de decisão sobre nossa vida. Nesse momento, parece emergir uma assombrosa bifurcação no caminho a nossa frente que nos sugere duas direções fundamentais: sobrevivência ou felicidade. Tenho uma forte impressão de que grande parte do nosso desconforto com a ideia de pensar sobre nossos direcionamentos de vida venha da nossa tendência de extremar as situações. Aprendemos em dado momento da nossa trajetória de vida que algumas opções que nos são apresentadas se comportam de maneira mutualmente excludente. Ou seja, são opções que não podem, de nenhuma maneira, coexistir. Munidos desse modo de pensar começamos a catalogar nossas experiências. 

Eu acredito que todo mundo pode ser um bom pai para seus filhos, um bom filho para seus pais, um bom amigo para seus amigos, um bom irmão para seus irmãos, um bom primo para seus primos, um bom neto para seus avós, um bom profissional para o mercado, um bom marido para sua esposa (e vice-versa), um bom ser humano para o mundo e ainda conseguir ser bom para si mesmo. É claro que não podemos ter tudo ao mesmo tempo. Tampouco podemos vivenciar tudo com as mesmas companhias e com a mesma intensidade. Mas, acredito que a sobrevivência e a felicidade possam coexistir sim. Podemos ser pessoas mais completas se aprendermos a somar nossas experiências e aproveitar o que de melhor elas podem nos oferecer.

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