“... que mesmo em face do meu maior encanto, dele se encante mais meu pensamento...”
A gente leva um tempo para aprender as lições da vida. Algumas delas são claras e aparecem como notáveis oportunidades de evolução da nossa consciência. Outras se apresentam como direcionamentos difusos e trazem ainda mais confusão nas situações atribuladas. Certa vez me perguntaram o que eu achava da vida. Pergunta curiosa e instigante. Passei dias pensando o que poderia responder, e cheguei à conclusão de que na vida falta muita coisa, mas também sobra muita coisa.
Sobram dúvidas. E ainda assim, eu não me canso de questionar. Não existem verdades absolutas e incontestáveis. Dúvidas não me incomodam. O que me destrói é o silêncio, o descaso com o pensamento e a superficialidade.
Falta diálogo. As pessoas não conversam, elas se esbarram, sempre uma tropeçando na opinião da outra. Ninguém tem tempo de conhecer ninguém. O princípio é não constranger o outro com perguntas incomuns. Seguindo esse lema deixamos de conhecer o outro e, consequentemente, deixamos de nos conhecer.
Sobram conselhos. Muita gente se considera madura e espiritualizada e costuma transbordar arrogância e tratar as pessoas como se fossem lixo. Opiniões invasivas e não solicitadas são atiradas em nossa direção com uma violência assustadora.
Falta bom senso. Seria interessante se tivéssemos o costume de levar nossas opiniões para uma esfera crítica e poder notar quão “incompletas” e “insuficientes” elas são.
Sobra competição e hostilidade. Não há garantia nenhuma de que se você perder eu vou ganhar ou vice-versa. Enquanto visualizarmos o outro como “oponente” e essa lógica de “ganhador-perdedor” se mantiver, nunca haverá conexão entre as pessoas. Não há pelo que competir se percebermos que há um pouco de tudo para todos.
Falta empatia. Todo mundo reconhece que tem o direito de errar, mas todo direito está vinculado a um dever. Se eu tenho o direito de errar, é meu dever ser razoável com o erro do outro, mesmo que esse erro tenha me prejudicado. Nós progredimos por tentativas e erros.
Sobram explicações. Somos seres julgadores e também nutrimos uma necessidade de dar explicações para que as outras pessoas não nos julguem. Sejamos coerentes, não há como agradar a todo mundo. Por mais exaustivas e elaboradas que sejam as suas explicações elas nunca serão suficientes. Você ainda assim será julgado. Mas, não se importe muito sobre o que as pessoas acham de você, até porque você também acha muitas coisas sobre elas. Vale mais a sua consciência do que a sua reputação.
Não se preocupe, nem tudo faz sentido. A vida é mesmo esse fascinante desequilíbrio de forças antagônicas que nos mantem em movimento, em uma direção... mas que todos desconhecem o destino final.
“... que mesmo em face do meu maior encanto, dele se encante mais meu pensamento...”
– Vinicius de Moraes

Parabens, gostei da parte que comenta sobre Sobra competição e hostilidade. perfeito!!
ResponderExcluirObrigado! A gente tem que repensar nossas formas de interação com os outros.
ExcluirMuito bom.
ResponderExcluirObrigado!
ExcluirParabéns! Perfeito o texto
ResponderExcluirObrigado! ^^
ExcluirFicou legal professor...
ResponderExcluirSábias palavras... Não podia esperar menos vindo desse grande ser humano denominado Daniel Ferro :p
ResponderExcluirAss.: K.K.