Observo a minha morte todos os dias. Nos fragmentos da minha vida que eu nunca vivi; nas vozes em minha cabeça que não reconheço; em todos os planos não realizados; nos sonhos abandonados; nas vontades esquecidas; nas palavras não ditas; nos amores não vividos; nos sentimentos negligenciados; nos impulsos refreados; nas lágrimas contidas; nos finais felizes evitados; na falta que o outro me faz; no medo de perder o que nunca tive; na cansativa disponibilidade para as dúvidas; no meu vício de tratar o outro como prioridade; nos pequenos abandonos; na falta de sentido de mim mesmo; nas opiniões invasivas; nas tentativas fracassadas de corresponder às expectativas alheias; no mal que inflijo ao outro e a mim mesmo; na falta de fé; nas noites mal dormidas; no meu silêncio, nas minhas ausências e nos meus vazios.
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
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Profundo , muito profundo Daniel, mas que faz todo o sentido..
ResponderExcluirBelo texto, Daniel. Percebo nesse, um dilema recorrente dessa sociedade onde o sentimento deve vir após a aprovação do outro, onde ser "aceito" diante do conceito do que é "certo ou errado" representa abrir mão da verdade e individualidade nata de todo ser.
ResponderExcluirAi daquele que haja com o coração, fazendo o que sua consciência, limpa, ordena!!!
Enquanto a maioria "opta" por ser "social", submetendo-se a vontades e padrões impostas por outrem. Vejo que devemos ser um "ser social"!!! que respeita os outros, e a opinião desses. Todavia não vive por essas, mas sim, por suas escolhas e consciência tranquila.
Maravilhoso. Perfeito. Penso igual.
ResponderExcluirBeijo grande e escreva mais, muito mais.
O seu texto está brilhante!... Lembrou-me Rimbaud, (não que eu seja entendida sobre ele), quando disse: "Por delicadeza perdi minha vida". Sei como é. =) Victória Avlis
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