Uma vez minha mãe me disse que
nada teria sentido se a minha vida não tivesse utilidade para os outros. Eu não
consegui entender isso por um bom tempo. Entrei na indústria cinematográfica
muito jovem e minha única preocupação eram as minhas próprias experiências, a minha
própria dor. Só comecei a entender o que ela tinha me dito quando comecei a
viajar e a perceber as coisas de outro modo. Quando passei a viver além do meu
contexto comecei a notar a minha responsabilidade para com os outros. Ao
conhecer sobreviventes de guerras, que passam fome, abusos e outras violências,
percebi como é a vida para a maioria das pessoas do mundo. Foi então que notei
quão sortuda eu sou de ter comida em casa, de ter um teto, um lugar seguro para
viver, e a alegria de ter minha família ao meu lado, segura e saudável. Quando
percebi que mantive minha vida isolada do restante do mundo fiz um grande
esforço para nunca mais ser assim. Nunca entendi o motivo de algumas pessoas, como
eu, ter sorte na vida e nascerem em situações como a minha, para trilhar trajetórias
como a minha. Enquanto do outro lado do mundo tem outra mulher igual a mim, com
as mesmas habilidades, com os mesmos desejos, com a mesma disponibilidade para
trabalhar, que ama muito a sua família, que certamente faria filmes melhores
que eu, e até melhores discursos... mas ela está em um campo de refugiados. E
ela não tem voz. Ela só se preocupa com o que os filhos vão comer, em como
protegê-los, e se algum dia eles poderão voltar para casa. Eu não sei por qual
motivo essa é a minha vida e aquela é a vida dela. Eu não posso explicar. Mas,
o que está ao meu alcance é fazer o melhor que eu posso com a minha vida para
que ela seja útil.” - Angelina Jolie
quarta-feira, 25 de março de 2015
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