segunda-feira, 8 de junho de 2015

Tolerância

Pedro Santi
Hoje em dia, o discurso da tolerância é: eu quero ser tolerado, mas eu não tolero o outro. A simples existência do outro me dói. E daí surge o o ódio. Mas, o que é o ódio? Basicamente o ódio é uma reação. Não temos um impulso primário de odiar gente. Imagine que uma pessoa pega um assunto sagrado seu e debocha como você debocha de outras coisas. Você iria rir junto? Certamente não. A gente só sente o que a gente sente. Psicologicamente é uma conquista muito lenta e imperfeita perceber que outro também sente. É uma aquisição muito demorada a ideia de que aquele que eu estou vendo ali, como eu, tem uma consciência, e como eu sente. E se eu não estou gostando, ele não deve estar gostando também. A gente só consegue sentir compaixão por alguém que esteja passando alguma coisa que eu imagine que poderia acontecer comigo também. Só tenho compaixão quando eu me identifico. Nesse sentido, a consideração verdadeira pelo outro é o grande limite. Eu não consigo sair de mim. Nós falamos sempre da nossa perspectiva.

Trechos retirados da fala de Pedro de Santi no vídeo da Casa do Saber disponível aqui

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