Todo mundo
pensa, pensa sobre tudo, pensa o tempo inteiro. Afinal de contas, não existe
nenhuma ação que seja fruto de uma “falta de ideia”. Posso agir sem saber o que
faço, mas é uma ação inconsciente. Nós somos movidos por ideias, movidos por
conceitos. Ainda assim, há um preconceito contra o âmbito teórico. Uma noção
desvirtuada com relação ao pensamento, como se pensar não fosse prático, e como
se apenas a prática fosse boa. Como se a prática pudesse existir sem
teoria e a teoria estivesse sempre alienada da prática, e não fundasse nenhuma
prática. Pois bem, é necessário pensar. E temos que ter cuidado com os
pensamentos prontos, com a ausência de reflexividade, com o vazio de
pensamento. A reflexividade anda na contramão do
pensamento dado. Se nós não pensarmos no que estamos fazendo,
alguém vai estar pensando no nosso lugar. O perigo nisso é agirmos a
partir de ideias alheias, ou pior, agirmos a partir dessas ideias sem termos
consciência de que são ideias alheias. É muito difícil se desvincular do
que está pronto, do que está disponível, do que que já foi criado. No entanto,
é importante pensar, e é indispensável pensar bem. Podemos nos surpreender ao promovermos
um encontro com a nossa reflexividade.
Esse texto foi elaborado a partir de trechos de entrevistas e palestras dadas pela Artista Plástica, Professora de Filosofia e Pensadora, Márcia Tiburi.

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