terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Na minha estante


Tinha um conteúdo surpreendentemente interessante. Páginas alvas, lombada espessa e uma capa lisa. 
Desses que não se encontram em qualquer lugar. 

Passei parte dos meus dias dedicando-me a ele. 
Lembro-me de folhar cada uma de suas páginas em busca de algum conforto, de coincidências, de revelações assombrosas e de ironias desconcertantes que me dessem um gole de vida. 

Estava encantado com aquela história envolvente que parecia me compreender, despertar sensações em mim, descrever meus pensamentos e me levar para um mundo distante onde eu era capaz de recriar a mim mesmo.

O tempo passou. A história terminou.
Fechei-o com cuidado para não amassar as folhas, passei a mão em sua capa para tirar qualquer eventual vestígio de poeira, e coloquei-o na estante.

E lá ele ficou, com todo seu conteúdo que tanto me confortou.
Esperando pelo meu tempo, pelo meu ânimo e pela minha disponibilidade de acessá-lo quando me convier. 

E foi assim, como um livro que já foi lido, que abandonei naquela estante meu melhor amigo.

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